“Uma comunicação a várias mãos”, é isto o que são os cadernos do povo brasileiro (violão de rua), livros de poemas organizado em colaboração com o centro popular de cultura, da une. Que surge com a intencionalidade de impulsionar a revolução do homem brasileiro através da poesia:
“Consciência mais consciência, eis o que se pede portanto.”
Os poetas destes livros se voltam para os fatos de sua terra e sua gente. Violão de rua é um livro que se coloca, também, ao lado do proletariado e do campesinato, das suas lutas e aspirações.
E não são só os poetas dos cadernos do povo brasileiro que buscam este empenho popular , também observamos esta motivação (social e política) por parte dos cordelistas
Ana Maria de Oliveira Galvão em seu livro “cordel leitores e ouvintes” diz que o prazer, o lazer e o divertimento aparecem como as principais motivações para a leitura dos folhetos, mas que estas motivações também contribuem como importates meios de sociabilidade.
Ao lado do rádio e do jornal, porém de maneira mais prazerosa contribuindo para que as notícias fossem divulgadas entre alguns segmentos da população.
Finalmente o folheto desempenha um papel, embora secundário, também de instrução e educação das pessoas. O que favorece na alfabetização e na sua formação como leitores e ouvintes.
O que diferencia o Cordel do Violão de Rua, com relação às temáticas abordadas, está voltado para o fato de que: No Violão de Rua a temática político-social está muito mais acentuada do que o Cordel. Embora também seja sensível a uma linguagem que não se distancie dos ritmos populares.
Ambos possuem diferentes formas e estilos que vêm servindo às diversas individualidades criadoras, no Brasil, para expressar seus sentimentos de inconformidade ou suas exigências de um mundo mais livre e, portanto, mais humano.
Por isso o que mostramos neste blog não tem a intencionalidade de se construir um panorama geral ou uma antologia da moderna poesia social brasileira. Sabemos que a tarefa é bem mais ampla...
E para mostrar esta amplitude mostramos uma lista tirada do blog de um estudioso e Cordelista Gustavo Dourado (http://www.gustavodourado.com.br) afirmando que, renomados criadores da arte e da literatura brasileira foram influenciados pela literatura de cordel. Saliento os principais: Ariano Suassuna, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Dias Gomes, João Ubaldo Ribeiro, Orígenes Lessa, Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros artistas significativos. Na música, além de Villa-Lobos, a presença do cordel é marcante em Luiz Gonzaga, Elomar, Zé Ramalho, Raul Seixas, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Ednardo, Xangai, Fagner, Elba Ramalho, Zeca Baleiro, Lenine, Chico Science, Chico César, Amelhinha, Juraíldes da Luz, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Cartola, João do Vale, Jackson do Pandeiro, Jorge Mautner, Tom Zé, Dominguinhos, Clodo, Climério e Clésio(Os Irmãos Ferreira do São Piauí e de Brasília), Sivuca, Zé Gonzaga, Marinês, Hemeto Paschoal, Pixinguinha, Noel Rosa, Ary Barroso, Vital Farias, Diana Pequeno, Roberto Correia, Nando Cordel, Cordel do Fogo Encantado, Jorge Antunes, Genésio Tocantins, Beirão, Torquato Neto, Capinan, Pessoal do Ceará, Gilberto Gil, Maria Betânia, Vinícius de Moraes e Caetano Veloso. Só para lembrar alguns nomes expressivos. A lista é quilométrica.
Pois é Leitores, a lista de escritores e poetas que tiveram poesias publicadas nos livros “Cadernos do povo Brasileiro” também é extensa. Como o intuito aqui não é esgotar nenhum assunto, gostaríamos de ressaltar, mais uma vez, a importância para a Cultura Brasileira destas obras populares. “Que são de todos quantos neste país se interessam pelo ingresso da vivência dos poetas nos problemas da sociedade ou do tempo em que vivem.”








