Home Data de criação : 09/09/07 Última atualização : 12/03/14 17:47 / 16 Artigos publicados

PATATIVA DO ASSARÉ  escrito em terça 29 setembro 2009 09:58

patativa do assaré

Para deleite, publicamos uma poesia de Patativa do Assaré e fazemos algumas recomendações de leitura.

 Para quem deseja saber mais sobre a produção de Patativa, indicamos o seguinte link: http://www.palavrarte.com/artigos/artigos_sylviedebs.htm, onde se encontra um trabalho realizado por Sylvie Debs, doutora em Literatura Comparada pela Universidade de Toulouse, França. Àqueles que desejarem apreciar um pouco mais sobre o cordel de Patativa, deixamos o endereço : http://www.scribd.com/doc/18167970/7024489PatativaDoAssareBrosogoMilitaoeoDiaboCordel. Veja também o trailer do filme sobre Patativa.

 
 
 
O poeta da roça
Patativa do Assaré
 
 
 

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,

Trabáio na roça, de inverno e de estio.

A minha chupana é tapada de barro,

Só fumo cigarro de páia de mío.

 

Sou poeta das brenha, não faço o papé

De argum menestré, ou errante cantô

Que veve vagando, com sua viola,

Cantando, pachola, à percura de amô.

 

Não tenho sabença, pois nunca estudei,

Apenas eu sei o meu nome assiná.

Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,

E o fio do pobre não pode estudá.

 

Meu verso rastêro, singelo e sem graça,

Não entra na praça, no rico salão,

Meu verso só entra no campo e na roça

Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

 

Só canto o buliço da vida apertada,

Da lida pesada, das roça e dos eito.

E às vez, recordando a feliz mocidade,

Canto uma sodade que mora em meu peito.

 

Eu canto o cabôco com suas caçada,

Nas noite assombrada que tudo apavora,

Por dentro da mata, com tanta corage

Topando as visage chamada caipora.

 

Eu canto o vaquêro vestido de côro,

Brigando com o tôro no mato fechado,

Que pega na ponta do brabo novio,

Ganhando lugio do dono do gado.

 

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,

Coberto de trapo e mochila na mão,

Que chora pedindo o socorro dos home,

E tomba de fome, sem casa e sem pão.

 

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,

Eu vivo contente e feliz com a sorte,

Morando no campo, sem vê a cidade,

Cantando as verdade das coisa do Norte.

 

Referência: http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/ga_pa.htm#Opoe

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5 comentário(s)

  • talyta

    Qui 31 Jul 2014 21:24

    essa poesia e muito boa

  • Bruna Messi

    Dom 23 Fev 2014 12:32

    Ótimo cordel,parabéns!!!e para quem pensava que o nordeste não tinha nada de interessante tá aí ó,tomaram na cara!

  • lala

    Qua 21 Ago 2013 17:57

    chaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaato

  • pedro mailto

    Qua 19 Dez 2012 23:22

    muito bom ele foi um iluminado de deus!!

  • palavramarginal Sex 02 Out 2009 19:04
    Eu não sabia da existência desse poeta, muito bom meninas, trazendo sempre coisas novas e também adorei a música do Fagner no final do vídeo!


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